23h

terça-feira, abril 04, 2006

Aquela Miúda

São precisamente 23h, hora em que o comboio passa pela última vez cá na paróquia, hora em que abre a discoteca da moda, onde aos fins de semanas procuro por aquela miúda dos peitos avantajados que me piscou o olho à precisamente um mês e meio atrás. Lembro-me dos peitos, que abanavam de cima para baixo em quanto ela piscava-me o olho. Esta é a minha recordação de cabeceira que relembro religiosamente antes de adormecer… O problema, é não consigo dormir. Ontem foi assim… anteontem foi assim… sempre que me lembro dessa miúda dos peitos avantajados, não durmo. Aposto que essa gaja agora está a dormir, ou está por baixo de um desses cabrões que passam a vida a comer gajas… Puta de merda… se calhar está morta desde desse dia. Se calhar está num cemitério qualquer, numa campa sem nome, sem fotografia com as mamas fora da terra, a mostrar a sua única característica relevante… e de facto é uma característica relevante… Ontem à noite, imaginei que ela tivesse ido para estrangeiro trabalhar para uma dessas casas de prostituição onde raptam mulheres em países mais pobres. Imaginei-a a percorrer uma avenida, com um grande decote, um cigarro na boca e toda pintada, da cabeça aos pés e um carro a passar ao lado dela, a parar, a porta abrir-se e ela a ser empurrada para dentro por um homem. Duvido que ela tenha oferecido resistência. Puta… Aposto que todos os homens já a viram nua menos eu… Já imaginei ir fazer uma reportagem para o meu jornal e ela ser a entrevistada. Eu fazer-lhe perguntas sobre o seu emprego e ela responder com piscadelas. A última pergunta seria “quais os seus planos para o futuro?” e ela respondia-me ao ouvido, longe do gravador: “ bem sabes qual é o meu futuro. Já o resolveste mil vezes na tua cabeça. O único problema, querido… é que costuma ser na cabeça errada…”. Maldita… porque é que me piscaste o olho daquela maneira? Por que é que eu não fiz nada, a não ser o habitual sorriso de quem não percebe as deixas? Imagino-me, amanhã de manhã, a ir para o emprego, no meu carro, duas horas de trânsito, todos os carros com os piscas ligados e os airbags ejectados e eu fumo um cigarro como se nada se fosse. No meu emprego, o patrão, esse playboyzinho ranhoso (se calhar até ele já a comeu), mandar-me ao seu gabinete e piscar o olho e a dar gargalhadas violentas. É este fim de semana. Vou lá àquela discoteca e espero que ela chegue, e ela vai chegar de certeza. Ela pisca-me o olho e eu vou direitinho a ela, agarro-lhe pelas ancas, beijo-a e convido-a cá para casa… é isso…Mas... No último ela não apareceu… Os meus amigos já me aconselharam a ter um livro de cabeceira. Em vez de me pôr a recordar estas coisas, ler. O objectivo, dizem eles, é dormir depois de ler um bom bocado. Quero lá saber de livros. Nenhuma personagem me faria sonhar como ela me faz. De certeza que nenhum livro tem tantos enredos como aqueles que eu já fiz à custa dela. Se eles lessem as minhas histórias, liam-nas de rajada, uma a seguir a outra sem parar e depois de tudo lido, adormeciam como bebés depois de terem bebido o leite da mama da mãe. É por esse motivo que agora escrevo as minhas histórias, para os meus amigos terem um bom livro de cabeceira, para dormiram como eu dormiria se conseguisse. Acabar com as insónias dos outros ajuda-me a passar a minha. Ao menos tenho esse consolo. 7 horas da manhã. Hora em que passa o primeiro comboio cá pela paróquia. É esse o comboio que vou apanhar para o emprego, assim evito o trânsito… pode ser que lá vá também…